domingo, 31 de março de 2019

Sobre a mina de fosfato em Lavras do Sul.

Não sou, em princípio, contra minerações. Qualquer mina tem, porém, o problema de ser atividade extrativa que, esgotado o minério, acaba. 
Os resultados que deixa para os município mineradores, no curto e no longo prazos, dependem essencialmente da capacidade de negociação do município.
Até acredito que os impactos ambientais desta mina de fosfato em Lavras do Sul poderão ser mitigados e compensados pelo empreendedor. O EIA/RIMA deve ser analisado.
A questão que coloco é econômica. Bem conduzida a negociação, poderá deixar benefícios para Lavras do Sul no curto e no médio prazos.
O que me preocupa é que a comunidade de Lavras está com esperanças que me parecem ser demasiadas com relação ao efeitos da mina de fosfato na sua economia. 
A proximidade da mina de Torquato Severo (20 km) e de Bagé (60 km) me leva a suspeitar que os empregos de baixa especialização serão levados a Torquato, no município do Dom Pedrito.
E os de maior especialização, provavelmente ocupados por pessoal de fora da região, para Bagé. E para Lavras, que fica a 40 km da mina? Aí reside a dúvida. 
Lembrar que em estrada de terra, a demora entre Lavras e Três Estradas, onde está a mina, será de 1 hora.
Me parece lógico que os empregados de maior renda na mina (e com transporte a eles oferecido ou mesmo em transporte próprio) preferirão residir (e gastar seu salário) em Bagé. 
Devido à maior oferta de imóveis e às redes de ensino, saúde e lazer.
A população de Lavras do Sul não deve esperar que os benefícios da mina sejam naturalmente levados à cidade. 
Lavras vai receber o CFEM - Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, isto não há dúvida. Uma pequena parte da renda gerada pela mina.
E o que mais? Tudo mais que vier decorrerá da insistência da comunidade - especialmente neste momento - de que a empresa invista em Lavras. 
Em capacitação de pessoal para serem empregados na mina. Que haja garantias de que um percentual significativo de empregos seja dirigido a moradores de Lavras.
Que as compensações dos impactos ambientais sejam aplicadas em Lavras e não em outros locais. 
Por exemplo, que a mineradora, como compensação, invista no asfaltamento da estrada Lavras-Bagé, aspiração antiga e legítima da comunidade. 
Nem que seja uma parcela, já que não acredito que seja viável no todo.
Poderia ser entre Lavras e Três Estradas (40 km) deixando o trecho Três Estradas - Bagé (60 km) para o governo, por exemplo. 
Não sei se cola, se não colar, que sejam os primeiros 20 km, p. ex.
Uma fábrica de adubos fosfatados mudaria a realidade econômica do município, gerando emprego e renda. Mas sequer é cogitada, já que será em Rio Grande que estarão as fábricas.
Outros tipos de compensação poderiam ser também definidos. Mas todas elas ocorrerão por pressão da comunidade, neste momento em que a empresa precisa de apoio para aprovação das Licenças Ambientais.
Após isto, vão valer as leis de mercado, as relações custo-benefício, e dificilmente as expectativas dos lavrenses serão atendidas, na minha previsão. 
Aplaudir, apoiar e defender a empresa neste momento é dar o que ela quer de graça, ou em troca de muito pouca coisa. 
Ela pode (e deve) dar mais. Negociem, do mesmo modo como quando vão comprar gado. Não aceitem a primeira oferta, peçam mais, sempre mais.
É o que sinceramente penso, como engenheiro que conhece um pouco do assunto. E espero que estar errado. 
Torço para que tudo dê certo e Lavras encontre condições para seu progresso econômico. Seja de que jeito for, com mineração ou de outras formas. 
Só não acho que será do jeito que está ocorrendo. Torço para estar errado!

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