quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Secretaria de Obras Públicas abre licitação para concluir barragens de Taquarembó e Jaguari; e daí?

A reportagem abaixo trata da continuação das obras dessas barragens. O Governo comemora a possivel retomada e a finalização da acumulação de água que será promovida. "Esquece" porém de comentar que para que este investimento gere resultados haverá necessidade de serem construídos canais de distribuição da água. A um custo médio de R$ 1.000/m de canal (uma estimativa preliminar obtida em obras similares e que pode ser encontrada na literatura e relatórios técnicos), e considerando que na proposta da AUSM os canais da barragem de Taquarembó terão cerca de 136 km e da barragem do Jaguari  159 km (fonte: http://www.ausm.com.br/util/QUADRO%20COMPARATIVO.pdf), teremos mais R$ 295.000.000 (295 milhões de reais) de investimentos demandados a serem pagos com nossos impostos. Existe algo a comemorar? As empreiteiras certamente!
Perguntas que não querem calar: quanto se vai gastar nestas barragens e seus canais? Como justificar estes investimentos em termos de benefícios gerados? Não haveria outras formas de aplicar este dinheiro, que trouxesse mais benefícios à região? E a mesma pergunta de sempre: até quando nossos governantes continuarão tomando decisões que envolvem aplicação de recursos públicos com tanta leviandade?
Protocolo feito21/08/2013 | 22h33

Secretaria de Obras Públicas abre licitação para concluir barragens de Taquarembó e Jaguari

Expectativa, segundo secretário Luiz Carlos Busato, é de que obras sejam retomadas em 90 dias

Secretaria de Obras Públicas abre licitação para concluir barragens de Taquarembó e Jaguari Walter Fagundes/Divulgação
Com vários volumes, processos foram protocolados nesta quarta-feira na Central de LicitaçõesFoto: Walter Fagundes / Divulgação



















O  secretário estadual de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano, Luiz Carlos Busato, protocolou nesta quarta-feira, na Central de Licitações (Celic), a abertura do processo de licitação para concluir as barragens de Taquarembó e Jaguari. A expectativa, segundo ele, é finalizar as obras até o ano que vem. 
— Devemos retomar os trabalhos em 90 dias — informou Busato.
O Ministério da Integração Nacional autorizou a retomada das obras das barragens, que foram paralisadas em 2011 e 2012.
Para a conclusão de Taquarembó, conforme o Estado, serão necessários R$ 86 milhões. A obra contempla os municípios de Dom Pedrito, Lavras do Sul, e Rosário do Sul. Entre os benefícios, estão o abastecimento de Dom Pedrito, com área beneficiada alcançando 16,7 mil hectares.
Já para Jaguari será viabilizado R$ 68 milhões. O barramento irá irrigar uma área de 17 mil hectares, beneficiando São Gabriel, Lavras do Sul e Rosário do Sul, este que terá garantia de abastecimento de água.
A secretaria também informou ter obtido a redução — de 20% para 1% — da contrapartida do Estado para a construção de quatros novas barragens pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). São elas: barragem do Arroio Estancado (Sarandi); barragem do Rio Soturno (Nova Palma e Faxinal do Soturno); barragem do Passo da Ferraria (Bagé e Dom Pedrito) e barragem do Rio São Sepé (São Sepé).
— Foram dois anos de negociações no Ministério da Integração, de trabalho intenso da nossa equipe técnica, além de um esforço enorme do governador Tarso Genro para destravar os processos burocráticos — destacou Busato.
As barragens de Taquarembó e Jaguari também ganharam a redução de contrapartida para 1%. Ao todo, segundo o Estado, a economia aos cofres públicos com as seis barragens chega a R$ 350 milhões.
Fonte: Zero Hora de 22/8/2013

4 comentários:

Sergio Augusto Giuliani Filho disse...

Bom dia Sr.Eduardo Lanna!
Sou um leitor do seu Blog e peço que verifique a origem das informações que publicou sobre as barragens de Taquarembó e Jaguari. Sugiro entrar no Site da AUSM e verificar as informações, lá vai ver que os números como a distância dos canais das duas Barragens somados não chegam a 300Km, e que a aplicação destes recursos terá o retorno previsto para tês anos segundo consultoria do Governo composta por professores da UFRGS.
Sou um admirador do que escreve mas sobre este assunto tenho que descordar, pois vejo que este sim é um recurso bem aplicado, uma vez que usado para garantir o abastecimento público das Cidades de Don Pedrito e Rosário do Sul, que em anos de estiagem tem risco de ficarem sem água para a população, além de estas obras garantirem a produção de alimento e assim desenvolvendo a região.

A. Eduardo Lanna disse...

Bom dia Sr. Giuliani Filho
Agradeço seu contato. Quanto à extensão dos canais baseie-me em informações da página-web da AUSM: http://www.ausm.com.br/util/QUADRO%20COMPARATIVO.pdf que dão 295 km para os canais, no seu projeto que pretende irrigar terras altas e por gravidade. Havia arredondado para 300 km, mas já coloquei o valor exato informado: 295 km.
Quanto ao retorno previsto em 3 anos destes investimentos, por mais que respeite os professores da UFRGS que realizaram esta estimativa, mesmo sem saber quem são, devo afirmar que eles estão equivocados. Investimentos deste porte não têm retorno em prazos tão exíguos. Para ser franco, em 3 anos, após as obras terminarem, ou seja, quando as barragens e os canais estiverem funcionais, não creio que a área prevista a ser irrigada esteja sequer totalmente implantada. E projetos de irrigação deste porte geralmente não são viáveis economicamente em curto e médio prazos. Devem ter benefícios sociais que os justifiquem, o que não me parece ser o caso desses. Sobre o abastecimento de Dom Pedrito e Rosário do Sul, existem obras mais baratas que poderiam fazê-lo.
Não condeno que sejam realizados investimentos na região. Ao contrário, acredito que deveriam ser realizados, de forma mais criteriosa, para dinamizar a sua economia que ainda é deprimida em relação às demais regiões do estado. O que vejo com frustação é esta quantidade de recursos serem aplicados inicialmente em projetos sem viabilidade técnica, econômica, ambiental e social; e agora, mais recursos serem aplicados para fazer um "remendão" sobre as evidentes falhas técnicas e de concepção do projeto original, alterando-o totalmente (da irrigação de arroz para irrigação de outras culturas), às custas de mais investimentos públicos, que todos nós pagaremos. Se o que vai ser gasto neles fosse aplicado de forma criteriosa, talvez melhorando as estradas, proporcionando um sistema de armazenagem, e atraindo agroindústrias para a região, poderíamos já verificar, neste momento, reais alterações para melhor, e não promessas mirabolantes e muitas vezes destituídas de coerência("a seca vai acabar", "as cidades de Dom Pedrito, Rosário do Sul, Lavras do Sul e São Gabriel vão ser abastecidas", etc.). Mesmo um projeto de irrigação, se mais bem elaborado, associado a uma conversão da agricultura região, para cultivos com maiores valores agregados, traria maiores benefícios que este que foi apresentado e se tornou sorvedouro de recursos públicos.
De toda maneira agradeço muito o contato e a oportunidade de apresentar estes esclarecimentos.
Abraço, Eduardo Lanna

Anônimo disse...

Bom dia Sr.Lanna,
Tenho acompanhado as notícias sobre os investimentos na região também com preocupação. Confesso que hoje, mais me preocupa o que já foi investido e está lá jogado num fundão de campo, sujeito às intempéries entre outras coisas. A última notícia é que o Secretário Busatto protocolou o edital para a conclusão da obra na CELIC. Daí pra cá não sei de mais nada, nem data da concorência, nem nada. O Sr. tem alguma notícia sobre o assunto?
Att
Roberto T. Fraga

Anônimo disse...

Boa noite Sr. Lanna. Sobre o assunto acima.... http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/governo-do-estado-relanca-licitacoes-para-construcao-de-barragens-20740.html